SOBRENOME:
Uma liberdade que deveria ser individual de cada pessoa
Por mais que acreditamos estar em uma sociedade pós-moderna cuja a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres tornou-se um imperativo categórico, ainda sustentamos algumas bases da diferença de direitos entre os sexos.
Um exemplo claro disso está no uso do sobrenome principalmente quando envolve a documentação legal em qualquer esfera de consumo ou pagamento de impostos. Há uma prevalência do último sobrenome, geralmente masculino, para fazer referência a um processo de documentação. Porém, esse hábito antigo de permanecer ou prevalecer o sobrenome masculino acaba retirando a liberdade das pessoas em utilizar o seu nome da melhor maneira possível.
Acho que se devemos defender a liberdade de expressão e pensamento, isso se alastra para o direito da pessoa usar, da maneira como deseja, o seu nome de maneira inteligente. Qual o problema de valorizar o sobrenome materno, se a nossa sociedade defende o discurso da igualdade dos sexos? Muitas vezes vejo que vivemos somente nas boas intenções do novo código civil, do discurso politicamente correto, das propostas sociais, mas não colocamos nenhuma dessas iniciativas em prática. Falta saber superar os hábitos tradicionais que mais penalizam nossa liberdade individual do que a alimenta para um maior crescimento pessoal.
O motivo de escrever esse tema é devido uma situação bem pessoal na qual sempre vou defender, apesar de ver alguns limites. Eu, Otacilio, fui registrado com o sobrenome materno Pita e o paterno Silva. São dois sobrenomes que ao meu ver tem uma certa lógica quando abordada. Porém, mesmo admirando e amando tudo que o meu pai representou e ainda representa em minha vida, sempre tive uma afinidade maior pelo sobrenome PITA(materno). Esse sobrenome, aliás, comecei a fazer referência quando percebí que é necessário vender e/ou expor de forma direta ou indireta uma imagem a sociedade. A maioria das pessoas que tem esse projeto consigo procura expor seu nome junto com o sobrenome de maior referência. Como o Pita sempre foi um sobrenome difícil de achar ou ser reconhecido pelas pessoas, optei pela sua utilização, ou seja, a partir desse sobrenome estaria passando a minha imagem de professor convertido aos sites de relacionamentos através de uma vida dupla: virtual e real. Porém, o meu orgulho e honra de ter esse sobrenome, algumas vezes, é retirado por motivos legais, ou melhor, tradicionais de uma sociedade com vestígios machista. Um exemplo recente foi a compra do meu pacote de viagem para o Nordeste e ter que sentir forçado a expor meu nada interressante Silva (tem até em cachorro) para o contrato de reserva de Hotel. Pelo que percebí, em Janeiro de 2010, quando estiver no hotel, verei vários xáras SILVAS confundindo os funcionários e podendo ocorrer um grande risco de enganos nas diárias. Um prejuizo que poderia ser EVITADO, caso deixasse as pessoas escolherem o sobrenome ao seu gosto. Pelo menos, sempre vou defender o direito de expor o sobrenome que melhor define a minha pessoa. Amo o sobrenome PITA e com ele é que serei sempre reconhecido, inclusive nos meus futuros filhos. O SILVA pode ser muito MASSA, mas não dá pra fazer DIFERENÇA pra mim. Desculpa os amantes de SILVA, mas fico com aquilo que me dá honra de ser alguém na sociedade: o sobrenome PITA.
Espero,com grande esperança, que a nossa sociedade não possa ser hipócrita ao defender um discurso em prol da igualdade dos direitos e deveres dos sexos e não viver isso de maneira efetiva na sociedade.
Agora veja essa reportagem super interessante da revista Super-Interessante sobre a história dos sobrenomes:
Hoje obrigatório, o sobrenome era um privilégio até o fim da Idade Média no Ocidente. Apenas nobres tinham um complemento oficial ao nome próprio, geralmente ligado à região em que eram soberanos.Mas, conforme a população começou a aumentar e circular, um nome só (ainda que composto) não era mais suficiente para distinguir os plebeus, e o povo passou a ser identificado também por seu ofício, origem, fortuna, físico, personalidade. Para ficar em exemplos portugueses, foi assim que surgiram sobrenomes como Ferreiro, Lisboa, Rico, Longo, Valente etc. Aos poucos o hábito se disseminou e foi sendo passado para as novas gerações. Em 1370, já se encontra a palavra “sobrenome em documentos oficiais de diversos países. A partir daí, a diferença passou a ser a maneira de usar, como você vê a seguir.
Todos os nomes: veja como varia a composição oficial de um nome em vários países do Ocidente – não vamos nem entrar no Oriente.

Todos os nomes: veja como varia a composição oficial de um nome em vários países do Ocidente – não vamos nem entrar no Oriente.

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