EDUCAÇÃO VIROU PRIORIDADE
Por Monica Weinberg - VEJA40ANOS (REVISTA VEJA)
Por Monica Weinberg - VEJA40ANOS (REVISTA VEJA)
O debate conduzido por VEJA na área da educação deixou como saldo 667 propostas e 1145 comentários em torno de sete ideias com um mesmo propósito: fazer o Brasil deixar a incômoda rabeira que ocupa nos rankings internacionais – todos eles. Já existe há certo tempo o consenso por parte dos especialistas de que os temas eleitos aqui para a discussão são os de maior relevo para o necessário, e inadiável, avanço em sala de aula. Agora, sabe-se que esses são assuntos que também tocam diretamente naquilo que mais preocupa e interessa pais, professores e alunos. Daí sua enérgica e assídua participação no painel.
São raras as questões sobre o ensino que fogem à polêmica. Nesse sentido, é curioso notar que, quando se fala da implantação da meritocracia nas escolas – a primeira das propostas em debate – quase ninguém discorda. Ao contrário. Revelou-se no site um numeroso grupo de defensores da ideia. “A meritocracia deve ser adotada em caráter regular, definitivo, de modo que se transforme num hábito”, resumiu Alexandre de Souza Mattos. Não é praxe no Brasil distinguir os professores pelo mérito, mas, se fosse, pularíamos pelo menos dez posições nos rankings de ensino. Na prática, significa deixar de estar ao lado do Quirguistão para ombrear com países como a Itália.
As sete propostas em debate não têm a pretensão de inventar a roda – é tudo já testado e aprovado em países onde a educação sobressai pela excelência. Muita gente que escreveu para o site fez referências à Coréia do Sul ou à Finlândia, campeões em ensino que podem, não há dúvida, nos abastecer de boas ideias. É um sinal positivo de que no Brasil, pela primeira vez, as pessoas começam a valorizar o básico que deu certo no lugar de incensar tentativas, em geral frustradas, de criar soluções mágicas e mirabolantes.
Na educação, já se sabe, esse não é um caminho de resultado promissor. O que falta ao ensino brasileiro, afinal, é o básico do básico: treinar os professores antes que se ponham a ensinar, formular currículos que sirvam de base para as aulas e atrair os pais para a vida escolar – propostas lançadas por VEJA e amplamente apoiadas por quem participou do painel. A disposição dessas pessoas em tomar parte da discussão sinaliza, acima de tudo, para algo relativamente recente – e mais do que bem-vindo – num país em que as escolas costumam tirar nota vermelha: educação virou prioridade.
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