OS POBRES MELHORARAM DE VIDA NA DÉCADA 00
sáb, 26/12/09 por Paulo Moreira Leite tags Ano novo, distribuição de renda
Aconteceu um fato extraordinário na primeira década de nosso século: os pobres melhoraram de vida. O fenômeno não é igual em toda parte mas, na maioria dos países eles têm mais renda, esperam conquistar mais saúde e melhor educação. E é razoável imaginar que poderão obter mais direitos nos próximos anos.
É incrível — se você se der ao trabalho de examinar o que se dizia e se pensava dez anos antes. Naquela época um cientista social anunciou chegou a dizer que a luta de classes tinha acabado — e que os pobres tinham perdido. Assim mesmo.
A década posterior à queda do Muro de Berlim foi marcada por um pessimismo derrotista e conservador, alimentado pela profecia de que o modelo anglo-saxão de desenvolvimento capitalista havia derrotado todas alternativas viáveis de distribuição de renda, melhoria nas condições de vida e uma redefinição na divisão internacional do trabalho.
Os movimentos ideológicos daquele período apontavam para uma linha reta: a exclusão social era inevitável, a desigualdade entre indivíduos e nações precisava ser aceita como um valor necessário, não havia espaço na economia mundial para a redenção de quem dera o azar de nascer fraco e despreparado.
Era o mercado, nada mais do que o mercado, numa espécie de darwinismo social e místico, que não admitia manchas nem desvios.
Lembre-se quantos pensadores refizeram suas análises para se adequar ao que parecia ser o sinal dos tempos. Mudaram de perspectiva, corrigiram suas próprias obras, modificaram prioridades e sorriram com ironia diante das próprias utopias.
A idéia de Fim da História estava em alta — e isso implicava numa determinada visão do mundo e na aceitação da partilha de riqueza em todos os níveis.
A noção de Choque de Civilizações congelava esperanças e possibilidades num estágio preciso do desenvolvimento global — e era civilizado aquele que já tinha acumulado seu patrimonio séculos atrás.
Aos pobres, aos infelizes, aos vencidos, nada se oferecia — a não ser migalhas, fanatismo religioso, conformismo e derrota. Com um certo exagero, pode-se dizer que as populações subdesenvolvidas estavam condenadas a perecer, adaptar-se e, no máximo, agradecer pelas miçangas recebidas.
Veja o mundo que encerra esta década. Miserável, dirigida por uma ditadura horrorosa, com centenas de milhões de habitantes abaixo da linha de pobreza, apesar de tudo isso China oferece progresso social para uma massa imensa de cidadãos e tornou-se alavanca da economia mundial. Seu governo diz que não pode parar de crescer para não enfrentar o risco de uma convulsão social.
Outro impulso vem da Índia, esse conglomerado de nações, conflitos, castas, religiões e línguas que chegou a ser apontado como exemplo de país que nunca iria dar certo, pois não passava de um sonho pacifista.
Pense ainda no Brasil — onde 100 milhões de pessoas compraram ingresso na classe média, o triplo do que se verificava dez anos antes. Já tivemos, nos anos 80, um periodo histórico que foi chamado de Década Perdida. Temos, agora, uma década ganha.
Claro que a história não terminou. Há muito para ser feito, corrigido, construído.
Como brasileiros, não custa reparar que estamos longe de atingir um estágio de país desenvolvido — nossa violência é uma vergonha, a educação mantem-se num padrão inaceitável, a corrupção não é digna do esforço cotidiano do povo. Nenhum projeto de país é viável sem um prolongado período de crescimento.
Os ministros do governo Lula que se referem ao Brasil como “país grande” não sabem o que estão dizendo. Apenas repetem os auxiliares de Fernando Henrique Cardoso, para quem o Brasil era um país desenvolvido — o defeito é que era injusto.
Nossas carências são grandes, implicam em muitos riscos e dificuldades. Não há passagem reservada para o mundo desenvolvido e basta sair à rua para comprovar que não chegamos lá. Mesmo as conquistas recentes não estão asseguradas. Muitas são frágeis, podem ser revertidas pela demagogia e pela irresponsabilidade — e também por circunstâncias que vão além disso e estão fora do controle de qualquer governo.
Mas o progresso da década vale um brinde. É bom pensar nisso no reveillon.
É possível que, em 2009, muitas pessoas terão a chance de explodir a rolha de um espumante — que é mais agradável chamar de champagne — pela primeira vez. Só isso vale alguma coisa.
A história continua uma aventura. FELIZ ANO NOVO!
Caro professor Otacilio:
ResponderExcluirMeu nome é Nely Pitarello e gostaria de entrar em contato com sua mae Irani Pita da Silva.
Meu e-mail nely.pitarellos@gmail.com e
nely.pitarellos@hotmail.com
Telefones 011 2097 0247 011 9808 2551.
Grata.